Embora toda a minha família tenha tentado impedir meu primo e sua esposa (esposa? eles não se casaram, só estão morando juntos) a não pôr esse nome no moleque, não deu muito certo. Ficou mesmo Murilo Vinícios de-não-sei-o-sobrenome-da-Andressa Baruffi. Fora esse nome horrendo e de todo o trabalho que foi o parto, acho que estou bem feliz por causa do meu primo - aliás, a família inteira está - e pela esposa dele.
Deixe-me dissertar sobre o parto. A final eu sou a pessimista da família e estava pondo pilha no mundo. Pra mim o Murilo nasceria morto, tamanha a demora do parto que a Andressa estava tendo. Minha mãe disse que a menina estava com 38 semanas de gestação e o normal era 36 semanas, ou seja, já tinha algo errado - e por isso eu já tava achando que o moleque já tinha morrido dentro da barriga, mas eu não sou obstetra, certo? - com todo aquele processo. Às cinco da manhã de ontem, dia 09, a menina entrou em trabalho de parto. Mas chegou num certo momento, ela não sentia dor nem contração, mesmo no hospital. Esperaram até a menina quase ter o filho, literalmente, já que o bebê não encaixou e não tinha espaço suficiente para sair. SUS é SUS e particular é particular. Quando pagaram a cesariana, o bebê Murilo conheceu o mundo.
De qualquer forma, minha mãe brincou: "Acho que o bebê não está querendo nascer. E ele faz bem, esse mundo está completamente louco" e eu sou obrigada a concordar com ela. O mundo está completamente louco e apesar de ter um pressentimento bem estranho em mim, eu estou me obrigando a ficar feliz ao menos por isso, já que se eu for levar em consideração minhas suspeitas sobre a saúde da minha arcada dentária eu vou ter começar a dizer "entristeça".
Na verdade, essa história de saúde da arcada dentária é minha novela particular. Sabe, poderia ao menos ter um par romântico para eu escrever a respeito. Algo do tipo; "blablabla ele então segurou a mão da garota e disse que tudo ficaria muito bem etc e tal", mas eu não tenho tanta sorte com pares românticos. A propósito, meus caros, escritores observam pessoas e são elas que nos inspiram. Olhar o mundo a sua volta te torna um pouco mais sensível - no meu caso, me torna imune às besteiras da humanidade -às pessoas e traz a inspiração necessária para criar personagens e desenvolver situações ineressantes de se ler. Eu vou chamar esse personagem de Mr. D. Eu decidi contar uma história baseada em uma pessoa, quero dizer, não é bem uma história, é uma opinião pessoal sobre Mr. D.
Minha mãe ficou muito nervosa com ele depois de tudo o que aconteceu com ele e com a personagem da história, a menina #1. As coisas mudam com o tempo e minha mãe adorava o Mr.D, mas tenho a impressão que ela não o perdoou por ter feito o que fez. Mr. D e a menina #1 foram namorados por duas vezes, num iô-iô nada saudável para nenhum deles - aliás, iô-iô romântico nunca é saudável para ninguém - e das duas vezes circunstâncias suspeitas terminaram esse namoro. Eu acredito que Mr. D acha que a menina #1 é meio que um porto seguro para ele, a final, quando tudo tá bem ferrado na vida dele é procurando a menina #1 que ele se acerta. E eu nem estou falando do namoro lindo de final duvidoso que eles tiveram, mas sim de eles serem um bocado bem relacionados um com o outro. A final, dizem que ex bom é ex morto.
Será?
Sua Lully.
Que seu primo seja bem-vindo nesse mundo e que todos na sua família sejam felizes! :)
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