Hoje eu acordei bem diferente. Acordei querendo falar de algo que eu quase nunca falo. Talvez porque eu me sinta vulnerável demais quanto a isso e definitivamente eu não gosto desse sentimento. Na grande maioria das vezes, eu procuro lidar com meus próprios conflitos de forma calma e sucinta, mas hoje eu decidi escrever. Escrever para dividir (não meus problemas, mas meus sonhos) com quem ler isso aqui.
Desde muito pequena eu descobri o que é cantar e embora eu não toque porcaria nenhuma, a minha voz é meu maior instrumento musical. Eu me sinto bem cantando, me sinto feliz e um tanto quanto realizada. Sabe, eu me descobri com a escrita desde meus seis anos de idade ou um pouco mais. Eu aprendi a ler e escrever muito rápido, porque eu sempre tive uma imaginação muito fértil, eu vivia sempre no mundo da Lua, cantando, dançando e escrevendo. Eu me lembro quando comprei minha primeira sandália de salto alto. Eu me sentia nas núvens e sabe qual foi a primeira coisa que eu fiz? Coloquei-a nos pés, apaguei a luz, liguei o som da minha casa e fiz um show imaginário. Acho que todo cantor teve o seu momento de show imaginário. Até hoje eu faço isso, os shows com os sapatos novos.
A verdade é que cantar pra mim pra mim se tornou uma necessidade, como se não houvesse vida se eu perdesse minha voz. No meu mais íntimo é como se eu fosse uma estrela! Até hoje eu sou insegura com relação ao que eu escrevo. Liguei o dane-se pras pessoas que insistiam em criticar meu modo de escrita e passei a receber elogios de todas as partes: tumblr, twitter, nyah, orkut e eu só tenho que agradecer à essas pessoas que acreditam em mim até mais que eu mesma, mas em questão de cantar, eu não consigo me sentir insegura enquanto penso nisso. Todo mundo tem um lugar seguro no mundo e meu lugar seguro é o canto. Não sou de me expressar, mesmo, mas no canto eu posso fazer isso. Cantar é cantar, sem mais. Cantar é música, é vida. Música é música e música é vida, simplesmente isso.
Infelizmente só quem toca consegue sentir o peso que a música tem na vida de quem a ama. Quando você realmente sabe o valor da música, você não suporta viver sem. É como um vício que te dá prazer, que te faz viver melhor. Quando a tristeza te incomoda, abre a boca e cante tudo o que te dói. Não existe remédio melhor. Após algumas músicas, seu corpo fica leve e é instantâneo sair um sorriso em seus lábios. Se está feliz sua felicidade só tende a dobrar.Paira sobre mim, com uma das mãos no bolso das calças. Uma mecha de cabelos escuros cai sobre sua testa mas ele não a afasta.— Música é minha paixão. É eterna, resistente, duradoura como nada nesta vida.— Nem todo mundo concordaria com isso. O que me diz das outras formas de arte? A escultura, a pintura, a literatura? E as pessoas? Algumas se casam e têm filhos para perpetuar uma união duradoura.Ele me faz levantar e diz:— A arte é duradoura, tem razão quanto a isto. Mas as pessoas não. As pessoas são a coisa menos permanente de todas. São as mais passíveis de serem substituídas, de serem descartadas. Você passará algum tempo comigo e logo, quando sua vida útil terminar, será substituída por outra. — Ele sorri, e me pergunto se está brincando ou se está sendo sincero. Falsa Submissão, Laura Reese.
Música apazigua conflitos, desfaz incertezas. Música quando vem da alma destrói muralhas, preenche vazios, abraça solitários. Cada nota de uma música expressa exatamente o que você sente, o que você quer libertar e compartilhar com quem ouve. Música é muito mais que a melodia, que o arranjo e a voz. Música vem do coração daquele que a tem tatuada na alma feito versos de uma poesia.
Muitos não compreendem porque eu canto, muitos não me compreendem porque eu costumo dizer que me misturo à música, porque ela fala por mim quando eu não quero falar. Dane-se os outros, eu só quero cantar.
Sua Lully.
