domingo, 25 de setembro de 2011

Fã mesmo, sério?

Existe uma diferença grande entre ser fã de uma banda, curtir uma banda e ser poser da mesma. Todas essas opções têm uma diferença muito grande e tudo depende de sua admiração pela banda. Bem, eu  vou tentar falar um pouquinho disso, porque tem surgido muito na minha timeline no Twitter ou na minha Dashboard no tumblr e eu realmente quero falar sobre um coisa que me incomoda.

Eu conheci o termo “poser” em 2006, quando me apaixonei por FOB após ouvir “Sugar, we’re going down” que ainda é uma das músicas que eu mais gosto – não é minha favorita da Fall out Boy (que é a Nobody Puts Baby in the Corner) – e acabei encontrando pessoas que não conseguiam ver além do Peter Wentz, que mal cantavam as músicas da banda. Eu demorei quatro longos anos pra conseguir ter quatro dos CDs da banda comigo e por mais que em formatações eu tenha perdido os primeiros CDs da banda que eu tinha no computador, eu ainda tenho muitos áudios deles. Eu me apaixonei pela banda, mas eu sabia quem era o Joe, quem era o Andy. Eu sabia quem era o Patrick e o que cada um deles falava e lia tudo o que eu podia ler a respeito deles, na época. Nessa mesma época que eu odiava minha banda favorita.  Todo mundo que ouve uma banda da Fueled by Ramen sabe que é como um efeito dominó; se você ouve uma banda deles, ficar sem conhecer as outras é simplesmente impossível. Se você ouve, por exemplo, Cobra Starship, você consequentemente vai ouvir falar de William Beckett e se você ouvir The Academy Is... provavelmente você vai ouvir falar de Travis McCoy que vai te fazer ouvir Gyn Class Heores e isso vai te fazer ouvir Fall Out Boy por causa do Snakes on a Plane.

Outro exemplo é se você ouvir Fall out Boy, a conseqüência mais imediata é você conhecer Panic! at the Disco, porque o Ryan fez guitarra pra banda no Infinity on High e se você escuta Panic! at the Disco é fácil você escutar falar de bandas como The Cab (que foi o Spencer que apadrinhou), como fun. como The Hush Sound e se você ouve The Hush Sound, é uma cosequência ouvir Gold Motel.

O fato é se você faz parte de uma banda da FBR é conseqüência ser ouvido por muito mais gente que você pensa que é escutado. Você vai lidar com três tipos de pessoas. Aqueles que te admiram por quem você é, pelo seu trabalho, pelas suas palavras e pelas suas atitudes. Aqueles que te observam com olhos atentos, que te criticam quando necessário, que ficam tristes junto com você, que se alegram com você, quase como se fossem parte da sua família. Aqueles que sabem quem você é, gostam de uma ou duas músicas de trabalho, das suas apresentações e pronto, chega e aqueles – que são os piores – que te amam porque você é bonito, que te ama porque você é sexy, que tudo o que você canta é perfeito. Aqueles que ficam bravos quando alguém aponta seus erros, falando que você precisa melhorar aqui ou ali. Pessoas que te tratam como se você não estivesse sujeito ao erro. (Ok, vamos deixar uma coisa clara, todas as bandas passam por isso e não só as da FBR).

O que me incomoda nessa discussão é que eu leio pessoas falando “eu sou fã, não sou Wikipédia” e eu me pergunto sempre que vejo essa frase: desde quando Wikipédia é uma fonte de informações confiáveis de seus ídolos? Qualquer um pode simplesmente editar uma informação ali, alterando ao seu favor, como foi o caso da tal “Paula Saporta”. Até eu que não sou fã da banda – ouço a banda da mesma forma que ouço Paramore – sei muito bem que o Gabriel não tem essa tal irmã, mas ela está lá na Wikipédia. Então, não confiem nas informações que você acha lá e não compare o seu amor por uma banda com algo tão supérfluo.

Como eu disse antes, existe uma diferença muito grande entre o fã verdadeiro e o fã poser. Eu costumo comparar o fã poser como se compara um amor e uma paixão. Porque todo fã um dia foi poser. Um dia se deparou com informações vindas de uma outra pessoa quando começara sua “carreira” de fã.  Fã poser é aquele que afirma ser fã verdadeiro com veemenia, não admite que falem mal do seu ídolo, porque não sabe que aquele que está falando mal ou falando uma verdade está certo. Que acha que seu ídolo é o melhor naquela área quando ele não é.

Me lembro quando uma revista lançou uma lista com os cem melhores guitarristas de todos os tempos. Eu me sentei na frente da TV e fiquei “Ryan, Ryan Ryan Ross!” mas ao mesmo tempo eu ria de mim porque me falava “Claro, o Slash é melhor do que o Ryan, mas eu quero o Ryan no topo dessa lista”. O fã tem bom senso, o poser não. Não é uma questão só de conhecer a banda a mais tempo, de ter mais informação é uma questão de conhecer o que seu ídolo está sentindo com o olhar, é conhecer a personalidade do seu ídolo com base do que ele fala, do que ele faz, do jeito que ele vive. É olhar a vida dele de fora, apontando as sugestões ali que poderiam facilitar a vida dele, se ele as seguisse, sem julgamento. Como você ser melhor amiga do seu ídolo, mesmo que ele não te conheça, não te olhe, não te admire metade do que você o admira.

Você ama seu ídolo desinteressadamente, você está ali por ele, mesmo sabendo que no seu momento mais difícil ele não vai te fazer companhia fisicamente. Seus pensamentos estão sempre na felicidade do seu ídolo, algumas vezes, acima de sua própria. Você não tem medo de dizer pra seu ídolo o que vier na sua cabeça, a verdade dos fatos, o que seus fãs acham verdadeiramente dele, mas sabe que se encontrá-lo na rua pra dizer tudo aquilo que planejou por horas, dias, meses e, até, anos tudo desaparece. Você está na frente dele e o mundo não mais importa. Sabe, algumas pessoas acham que seus ídolos são deuses, mas eles não são. Eles são humanos lutadores com talento e sorte. Muita sorte.
O poser também ama, mas é prepotente o suficiente pra achar que não erra sobre seus ídolos. O poser acha que ele é invencível, infalível, acha que sabe tudo, mesmo tendo conhecido-o a uma semana. É simplesmente impossível saber tudo de uma pessoa em uma semana de conhecê-la. É impossível, simplesmente, saber tudo de uma pessoa com a qual você não convive diariamente. É impossível formular opiniões sobre pessoas tendo tão poucas informações. Da próxima vez que você encontrar uma frase “eu sou fã, não Wikipédia” como essa por aí, diga: “eu sou fã e não familiar” porque só quem conhece uma pessoa de verdade é aquele que convive diariamente com ele.

Existe aquele que você pergunta: “ah, você ouve essa banda? *-*” e ele te responde: “ouço, mas não é minha favorita” ou “ouço, algumas músicas” ou “ouço sim, é ótima, mas não sou fã.” Esses não merecem ser chamados de posers, eles apenas são aqueles que provam que a banda é boa. Que incentivam a banda pelo trabalho dela, sem realmente “conhecer”. Eles não precisam saber os nomes completos dos integrantes, eles só admiram o trabalho e o passa adiante.

Ah, outra coisa, só porque uma pessoa escreve o nome do ídolo errado, não quer dizer que seja poser. Vamos supor que essa pessoa é fã do Incubus e do Panic! at the Disco, vai ser muito fácil ela confundir o Brendon Boyd Urie com o Brandon Boyd, certo? Só troca uma letrinha nos dois nomes. Não dá pra julgar sem conhecer! Poser é aquele que ama uma única música, não conhece o trabalho do seu ídolo, só aquela música, julga-o, interage com os fãs como se fosse um deles e ainda se ofende quando o fã xinga seu ídolo! Simples assim.

Você não é Wikipédia, mas o volume de material que você tem sobre seus ídolos te faz mais bem informado que esse site. Você não é mesmo Wikipédia, porque você ama seu ídolo e se você pensar que um dia amor de fã acaba, saiba que ele amadurece, que ele reproduz, mas não morre.

Sua Lully. 

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