Estaria chovendo. O céu tá escuro lá fora e faz frio. Uns momentos estranhos me vêm a cabeça, como se eu os conhecesse de longa data. Talvez eu não saiba, talvez eu os conheça melhor do que eu imagine, porque de tanto imaginar como seria minha vida ao seu lado, começo a acreditar que é real.
Então, pego uma caneca de chá e começo a pensar um pouco mais. Afundo meus pensamentos sobre como sou errada em relacionar com você assim. Ao massagear minhas têmporas, rio de mim mesma. Talvez eu ame uma personagem que eu criei, que me incomoda toda noite antes de dormir, mas quanto mais conversamos, quanto mais te conheço, mais me encanto. Se existe aquela tal de “almas gêmeas” passo a crer que você é a minha.
E me lembro de algo que eu jamais te contei antes (e talvez eu jamais vá) que eu gasto forças pra te fazer entender que somos amigas, mas na verdade, eu sou como uma garota qualquer que sonha com uma casinha, longe de tudo, dos parentes, dos amigos, com cerca branca e jardim bonito. Gosto das minhas máscaras, não me entenda mal, mas gosto mais ainda da idéia de ouvir cada som característico seu, de ter um momento que eu vou ter que dobrar meu orgulho só pra te ver fazendo uma careta e dizendo que eu sou idiota. Se a questão é ser idiota, mesmo, por você, eu topo. A vida é assim mesmo, eu fico meio frágil de vez em quando.
Eu quero que chegues em casa, depois de um dia tempestuoso de trabalho, e me encontres pendurada em três telefones tentando descobrir com quem falo primeiro. Pediria um tempo a cada um e lhe daria um beijo, então, você levantaria uma sacola de uma lanchonete e cafeteria e diria “Vem jantar, querida. Trouxe daqueles que gosta tanto” então eu lhe responderia que preciso resolver umas coisas e depois de mais um pouco de tempo, você me contaria seu dia, trocariamos alguns beijos e iríamos pra cama.
E se eu fosse te dar um apelido carinhoso, este seria “Een”. Porque atualmente, enquanto escrevo meu casal ideal em uma fanfic, desejo ter uma relação (com você) igual a deles. Porque te idealizo enquanto escrevo. És tu o motivo de que eu canto, de que escrevo, de que vivo. Desculpe-me o desabafo, estou romântica.
Sua Lully.
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